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Enredo nº 8: Rivalidade

20MplotsRonald Tobias, no livro “20 master plots: and how to build them”, explica que os escritores podem usar 20 enredos mestres para compor contos, novelas e roteiros.

A ideia dele é que o enredo funciona como um esquema narrativo que organiza os eventos de uma forma propícia à transmissão de mensagens e emoções.

Tobias dedica um capítulo para cada um dos 20 enredos mestres.

Esta postagem faz parte de uma série em que traduzirei os checklists com os quais Tobias encerra cada um dos capítulos dedicados a um enredo mestre. Os checklists ajudam o escritor a acompanhar o processo criativo e reduzem as chances dele misturar enredos conflitantes e enfraquecer a história.

Checklist do enredo de Rivalidade

(trecho traduzido de “20 master plosts: and how to build them”, de Ronald Tobias, p. 122-123)

“Ao escrever, tenha em mente o seguinte:

1. A fonte do conflito deve vir como se fosse o resultado de uma força irresistível indo de encontro a uma rocha inamovível.

2. A natureza da rivalidade está na luta por poder entre o protagonista e o antagonista.

3. As forças desses dois adversários devem ser equivalentes.

4. Embora equivalentes, as forças não são idênticas, de forma que o conjunto de forças de um dos rivais compensa as diferenças com o conjunto de forças do outro.

5. Comece a história no ponto inicial do conflito, narrando brevemente o status quo anterior ao início do conflito.

6. Comece a ação fazendo com que o antagonista conspire contra os projetos do protagonista. Esta geralmente será a cena catalisadora.

7. A luta entre os rivais se desenrola no ritmo das respectivas curvas de poder. A curva de um rival costuma ser inversamente proporcional à curva do outro: conforme o antagonista escala na curva de poder, o protagonista despenca.

8. Faça com que o antagonista conquiste superioridade sobre o protagonista na primeira fase dramática. O protagonista comumente sofre com as ações do antagonista por causa de alguma desvantagem.

9. Os dois lados costumam representar valores morais claramente opostos.

10. A segunda fase dramática reverte a descida do protagonista na curva de poder através de um golpe de sorte.

11. O antagonista é habitualmente a par do ganho de poder pelo protagonista.

12. O protagonista geralmente escala na curva de poder até alcançar paridade com o antagonista, ponto em que o confronto entre os dois se viabiliza.

13. A terceira fase dramática retrata o confronto final entre os rivais.

14. Após a resolução, o protagonista restaura a ordem em que ele e o mundo viviam.”

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Enredo nº 7 : Charada

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Ronald Tobias, no livro “20 master plots: and how to build them”, explica que os escritores podem usar 20 enredos mestres para compor contos, novelas e roteiros.

A ideia dele é que o enredo funciona como um esquema narrativo que organiza os eventos de uma forma propícia à transmissão de mensagens e emoções.

Tobias dedica um capítulo para cada um dos 20 enredos mestres.

Esta postagem faz parte de uma série em que traduzirei os checklists com os quais Tobias encerra cada um dos capítulos dedicados a um enredo mestre. Os checklists ajudam o escritor a acompanhar o processo criativo e reduzem as chances dele misturar enredos conflitantes e enfraquecer a história.

Checklist do enredo de Charada

(trecho traduzido de “20 master plosts: and how to build them”, de Ronald Tobias, p. 122-123)

“Ao escrever, tenha em mente o seguinte:

1. O núcleo da charada deve ser a argúcia: esconder aquilo que está diante dos olhos.

2. A tensão da charada vem do conflito entre o que acontece contra o que parece ter acontecido.

3. A charada desafia o leitor a desvendá-la antes do protagonista.

4. A resposta para a charada deve sempre estar diante dos olhos de todo mundo, mas não pode ser óbvia.

5. A primeira fase dramática deve retratar as generalidades da charada (pessoas, locais e eventos).

6. A segunda fase dramática deve retratar as especificidades da charada (os detalhes de como pessoas, locais e eventos se inter-relacionam).

7. A terceira fase dramática deve retratar a solução da charada, explicar os motivos do antagonista (ou dos antagonistas, se for o caso) e a sequência verdadeira de eventos (que se oporão ao que parecia ter acontecido).

8. Decida qual será sua audiência. Se você estiver interessado em atingir a audiência mais ampla possível, suas opções serão mais limitadas. Os leitores em geral preferem respostas absolutas, querem terminar a história com as charadas respondidas com clareza. Charadas que terminam em aberto apelam a um público mais reduzido.

9. Escolha entre uma estrutura com final em aberto e uma estrutura com final fechado. As charadas com final em aberto não têm uma resposta clara; as charadas com final fechado têm uma resposta clara.”

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Enredo nº 6: Vingança

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Ronald Tobias, no livro “20 master plots: and how to build them”, explica que os escritores podem usar 20 enredos mestres para compor contos, novelas e roteiros.

A ideia dele é que o enredo funciona como um esquema narrativo que organiza os eventos de uma forma propícia à transmissão de mensagens e emoções.

Tobias dedica um capítulo para cada um dos 20 enredos mestres.

Esta postagem faz parte de uma série em que traduzirei os checklists com os quais Tobias encerra cada um dos capítulos dedicados a um enredo mestre. Os checklists ajudam o escritor a acompanhar o processo criativo e reduzem as chances dele misturar enredos conflitantes e enfraquecer a história.

Checklist do enredo de Vingaça

(trecho traduzido de “20 master plosts: and how to build them”, de Ronald Tobias, p. 109-111)

“Tenha em mente o seguinte ao desenvolver este enredo:

1. O protagonista pretende vingar-se do antagonista por causa de um prejuízo real ou imaginário.

2. Muitos, mas não todos, os enredos de vingança focam mais no ato da vingança do que no exame profundo das motivações da personagem.

3. A justiça do herói é “selvagem”, pois justiça com as próprias mãos geralmente ultrapassa os limites da lei.

4. Enredos de vingança tendem a manipular os sentimentos do leitor ao representar homens ou mulheres de ação que se veem-se forçados a endireitar as injustiças do mundo porque as instituições que deveriam resolver os problemas mostraram-se ineficientes.

5. O herói deve ter uma justificativa moral para a vingança.

6. O vingança do herói pode equivaler (mas não exceder) a ofensa perpetrada contra ele (a punição deve ser proporcional ao crime).

7. O herói deve primeiro tentar buscar satisfação contra o delito nas vias normais, como a polícia, como parte de um esforço que comumente fracassa.

8. A primeira fase dramática do enredo de vingança descreve a vida normal do herói; então a personagem antagonista interfere com a normalidade ao cometer um crime. Faça com que o leitor entenda o impacto total que o crime causa no herói, explique os custos físicos e psíquicos.

O herói, a partir daí, fracassa ao tentar obter reparação pelas vias oficiais (polícia, juízes, etc.) e percebe que ele deverá advogar sua própria causa se quiser punir o malfeitor.

9. A segunda fase dramática inclui bolando planos de vingança e partindo no encalço da antagonista.

A personagem antagonista pode eludir o herói por acaso ou de propósito. Esta fase dramática coloca as duas personagens, herói e antagonista, em rota de colisão uma contra a outra.

10. Na última fase dramática, ocorre a confrontação entre o herói e o antagonista. É comum os planos do herói irem por água abaixo, o que força o herói a improvisar, mas deve ficar claro, no final, se herói fracassou ou foi sucedido na tentativa de vingança. Nos enredos contemporâneos de vingança, o herói geralmente não paga qualquer preço por ter se vingado. Essa característica permite que a ação se torne catártica para o leitor.”

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Enredo nº 5: Fuga

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Ronald Tobias, no livro “20 master plots: and how to build them”, explica que os escritores podem usar 20 enredos mestres para compor contos, novelas e roteiros.

A ideia dele é que o enredo funciona como um esquema narrativo que organiza os eventos de uma forma propícia à transmissão de mensagens e emoções.

Tobias dedica um capítulo para cada um dos 20 enredos mestres.

Esta postagem faz parte de uma série em que traduzirei os checklists com os quais Tobias encerra cada um dos capítulos dedicados a um enredo mestre. Os checklists ajudam o escritor a acompanhar o processo criativo e reduzem as chances dele misturar enredos conflitantes e enfraquecer a história.

Checklist do enredo de Fuga

(trecho traduzido de “20 master plosts: and how to build them”, de Ronald Tobias, p. 98)

“Ao escrever, tenha em mente o seguinte:

1. A fuga é sempre literal. O herói estará confinado contra a vontade dele (e quase sempre injustamente) e quer escapar do aprisionamento.

2. O argumento moral do enredo deve ser oito ou oitenta.

3. O herói deve ser a vítima (em oposição ao enredo de resgate, em que o herói salva a vítima).

4. A primeira fase dramática do enredo retrata o aprisionamento do herói e tentativas iniciais de fuga, as quais fracassam.

5. A segunda fase dramática retrata os planos do herói para escapar. Esses planos são quase sempre abortados.

6. A terceira fase dramática retrata a fuga que dá certo.

7. A personagem antagonista controla o herói nas duas primeiras fases dramáticas; o herói ganha controle na última fase dramática.”

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Enredo nº 4: Resgate

20MplotsRonald Tobias, no livro “20 master plots: and how to build them”, explica que os escritores podem usar 20 enredos mestres para compor contos, novelas e roteiros.

A ideia dele é que o enredo funciona como um esquema narrativo que organiza os eventos de uma forma propícia à transmissão de mensagens e emoções.

Tobias dedica um capítulo para cada um dos 20 enredos mestres.

Esta postagem faz parte de uma série em que traduzirei os checklists com os quais Tobias encerra cada um dos capítulos dedicados a um enredo mestre. Os checklists ajudam o escritor a acompanhar o processo criativo e reduzem as chances dele misturar enredos conflitantes e enfraquecer a história.

Checklist do enredo de Resgate

(trecho traduzido de “20 master plosts: and how to build them”, de Ronald Tobias, p. 92)

“Ao escrever, tenha em mente o seguinte:

1. O enredo de resgate se baseia mais na ação do que no processo de caracterização dos personagens.

2. O triângulo de personagens consiste de um herói, um vilão e uma vítima. O herói resgatará a vítima, que está sob poder do vilão.

3. O argumento moral do enredo de resgate tende a ser do tipo oito ou oitenta.

4. O foco da história deve ser a busca do herói pelo vilão.

5. O herói irá mundo afora para perseguir o vilão, e geralmente enfrentará o vilão no território do vilão.

6. O herói deve ser definido pela relação dele com o vilão.

7. Use a personagem antagonista como um mecanismo cujo propósito é privar o herói daquilo que ele acredita que é de direito dele.

8. Tenha certeza de que o antagonista atrapalha constantemente o progresso do herói.

9. A vítima geralmente é a personagem mais fraca dos três e serve essencialmente como um mecanismo que força o herói a confrontar o antagonista.

10. Desenvolva três fases dramáticas: a) separação entre herói e vítima causada pelo vilão; b) busca do herói pelo vilão, que detém a vítima em seu poder; c) confronto do herói contra o vilão e reunião do herói com a vítima.”

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Enredo nº 3: Perseguição

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Ronald Tobias, no livro “20 master plots: and how to build them”, explica que os escritores podem usar 20 enredos mestres para compor contos, novelas e roteiros.

A ideia dele é que o enredo funciona como um esquema narrativo que organiza os eventos de uma forma propícia à transmissão de mensagens e emoções.

Tobias dedica um capítulo para cada um dos 20 enredos mestres.

Esta postagem faz parte de uma série em que traduzirei os checklists com os quais Tobias encerra cada um dos capítulos dedicados a um enredo mestre. Os checklists ajudam o escritor a acompanhar o processo criativo e reduzem as chances dele misturar enredos conflitantes e enfraquecer a história.

Checklist do enredo de Perseguição

(trecho traduzido de “20 master plosts: and how to build them”, de Ronald Tobias, p. 85)

“Ao escrever, tenha em mente o seguinte:

1. No enredo de perseguição, a caçada é mais importante do que as pessoas envolvidas nela.

2. Tenha certeza de que há uma chance verdadeira do perseguido ser pego.

3. O perseguidor deve ter uma chance razoável de capturar o perseguido; este último pode até ser capturado momentaneamente.

4. Apoie-se fortemente na ação física.

5. A história e os personagem devem ser estimulantes, envolventes e únicos.

6. Para evitar clichés, fuja dos estereótipos ao desenvolver personagens e situações.

7. Confine geograficamente os cenários da história o mais que puder; quanto menor a área da caçada, maior a tensão.

8. A primeira fase dramática do enredo de perseguição tem três estágios: no primeiro, estabeleça as regras elementares dentro das quais a caçada acontecerá; no segundo, defina o que estará em jogo; no terceiro, use um incidente motivacional para começa a caçada.”

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Reflexões, Resenhas

Rumo ao Sri Lanka: comentário sobre “Desenvolvimento como liberdade”, de Amartya Sen

Desenvolvimento como liberdade

Estive a estudar “Desenvolvimento como liberdade”, de Amartya Sen, livro com esta capa aí em cima. Diz ali que a expectativa de vida no Brasil em 1994 era pior do que a expectativa de vida no Sri Lanka, embora o Sri Lanka fosse – e continue a ser – incomparavelmente mais pobre do que o Brasil.

A situação mudou hoje em dia. De acordo com dados que consultei no site do Banco Mundial, viver no Brasil está quase tão bom quanto viver no Sri Lanka.

O Sri Lanka tem renda per capita de 2 mil dólares, expectativa de vida de 74 anos, saneamento básico em 92% da zona rural, e apenas 8% da população vive abaixo da linha nacional de pobreza.

O Brasil tem renda per capita de 11 mil dólares, expectativa de vida de 72 anos, saneameto básico em 85% da zona rural, e 23% da população vive abaixo da linha nacional de pobreza.

É que o Sri Lanka, embora paupérrimo, investia em saúde pública enquanto o Brasil persistia no descaso. Demorou 18 anos para a economia muito mais rica do Brasil proporcionar aos brasileiros um patamar de vida próximo daquele que a economia muito mais pobre do Sri Lanka proporciona aos cingaleses desde 1994. Nesses 18 anos, com a falência mais ou menos comprovada do “Estado de mal estar social” no Brasil, houve investimento em saúde pública e em educação (ainda ruins, mas melhores do que antes), o que retirou o país da precariedade em que estava.

Esta comparação superficial me faz pensar em quanto o argumento central de Amartya Sen é pertinente. O autor construiu o livro “Desenvolvimento como liberdade” ao redor da tese de que índices econômicos sozinhos não medem o desenvolvimento de um país, pois a riqueza pode ser utilizada de um jeito ruim, e a obtenção da riqueza pode custar a devastação social. Índices econômicos robustos não reverteram em qualidade de vida para os brasileiros.

“Desenvolvimento como liberdade” é um bom livro. Merece o tempo de estudo que exige. Você não precisa concordar com Sen. Mas as ideias dele provavelmente mudarão sua forma de entender o caderno econômico dos jornais.

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