1. JOGAR RPG É MUITO FÁCIL
Role Playing Game (RPG) é um jogo de enfrentar desafios dentro de estórias interessantes como vencer o dragão do vale amarelo; resgatar a jóia da coroa; entregar uma mensagem ao general para acabar com a guerra; organizar uma comuna e destronar um tirano; e tudo mais que sua imaginação conceber.
A gente joga como Mestre ou jogador. Há um Mestre e de dois a seis jogadores por grupo.
O Mestre inventa e controla tudo o que não seja personagem do jogador. É ele quem propõe a aventura. Esta é um desafio: derrotar um dragão, desvendar um crime, efetuar resgates. Coisas do tipo.
Cada jogador constrói um personagem (PJ — personagem do jogador) e o controla durante a aventura conduzida pelo Mestre. Na aventura, os PJs são os matadores de dragões, os detetives ou os policiais do resgate.
2. DIFÍCIL É DIZER O QUE É RPG
Definir RPG é uma tarefa espinhosa.
Como produzo artigos sobre composição de aventuras, conversão de história e literatura, interpretação, etc., nada mais apropriado do que explicar o que compreendo por RPG.
3. UM ROLE-PLAY BEM MAIS DEMORADO
RPG é a sigla de Role Playing Game.
Embora se traduza essa expressão como “jogo de interpretação de papéis”, vou deixar esse costume de lado ao investigar o que é RPG.
Role-play significa uma interpretação momentânea, de brincadeira, comumente encontrada em cursos de inglês.
Num role-play, fingimos ser nós mesmos em uma situação imaginária para treinarmos o idioma que tentamos aprender. O centro de todo role-play é uma situação que nos desafia a usar a língua estrangeira. Por exemplo: ligar para um hotel e reservar um quarto para dois. Eu faço de conta que sou o cliente e outro estudante finge ser o atendente do hotel. Temos um desafio: conseguirei me valer da língua estrangeira para reservar um quarto?
Se o role-play é uma cena ao redor de um desafio, o RPG nada mais é do que um role-play extenso: um desafio maior, com enredo literário e regras. O desafio extenso garante à partida uma duração de pelo menos uma hora; o enredo fornece uma ambiência para os personagens; combinados, evitam a fugacidade e a fragilidade de um role-play de curso de inglês.
4. O PAPEL DAS REGRAS
AS REGRAS NÃO SEPARAM VENCEDORES DE PERDEDORES
Em jogos como xadrez, damas, gamão, etc., as regras dizem quem vence e quem perde. Isso jamais acontece num RPG. No RPG, elas regulam a participação dos jogadores e do Mestre na aventura.
AS REGRAS DESCREVEM PERSONAGENS
As regras de jogo descrevem os personagens em estatísticas (Força, Habilidade, Profissão, Talento, Defeitos, etc.) que fornecem os parâmetros para os testes.
AS REGRAS RESOLVEM CONFLITOS DURANTE A PARTIDA
Os testes são equações e outros tipos de comparações que determinam a modificação provocada pela ação de um personagem.
Na maioria dos testes, acrescenta-se um número provindo das estatísticas à rolagem de certa quantidade de dados. Analisando como termina esse cálculo, o Mestre narra como o personagem desempenhou seu papel na cena.
Obter um bom desempenho não implica vitória de um jogador sobre outro, pois a modificação causada pelo personagem apenas abre uma possibilidade narrativa aproveitada para fazer a aventura avançar.
Por exemplo: para descobrir se um PJ arromba ou não uma porta, é feito um teste. Caso destroce a madeira, ao invés de vitória de quem quer que seja, o fato meramente obriga o Mestre a descrever o que está dentro da sala e o jogador a atribuir ao PJ uma reação condizente com o que o Mestre descreveu. Contando o Mestre que a porta quebrada revela um cômodo vazio e de paredes de vidro, o jogador não pode dizer que seu personagem se senta no sofá, mas sim o que ele faz em relação a um aposento vazio e de paredes de vidro.
Esse vai-e-vem no qual o Mestre desafia, os jogadores reagem via personagem, o teste orienta o Mestre a descrever uma nova situação desafiadora e os jogadores inventam novas reações faz a aventura fluir de maneira imprevisível e coletiva do começo ao fim.
AS REGRAS COLETIVIZAM A ATIVIDADE DE JOGO
As regras fragmentam nossa imaginação em blocos que se ordenam no tempo apenas quando jogamos. Uma planilha de personagem o descreve como um ente extático, com características, qualidades e defeitos parados. A aventura, por sua vez, lista uma porção de eventos sem necessariamente agrupá-los segundo uma cronologia.
Quando nos pomos a jogar, esses instrumentos se dinamizam. As estatísticas do personagem nos instruem sobre o que ele faz melhor. As ações de nossos personagens ativam alguns eventos que o Mestre previu ao compor a aventura ou o obrigam a inventá-los no calor da partida.
É porque esses pedaços de narrativa estão lá suspensos pelas regras do jogo, e porque essas impõem aos participantes uma conduta de diálogo, que conseguimos experimentar uma narrativa coletiva quando jogamos RPG.
5. PASSANDO A LIMPO
RPG é uma brincadeira que facilita nosso fingimento em situações imaginárias porque combina regras de jogo com enredos literários.
Ele regula nossa imaginação em etapas de jogo.
As regras permitem aos jogadores transitar em um ambiente virtual e delimitam a intervenção deles nessa virtualidade.
6. MOTIVOS PARA JOGAR
Jogamos RPG pelo prazer de nos imaginarmos heróis esfoladores de orcs, investigadores do horror cósmico, viajantes espaciais, etc.
Jogamos RPG pelo prazer de enfrentar e vencer desafios.
O GOSTO PELA IMAGINAÇÃO É ESSENCIAL AO RPG.
Se você gosta de imaginar, provavelmente gostará de jogar.
Se não gosta, dê uma chance a si mesmo.
Experimente.
A criatividade também é um prazer.
Escrito por Camilo