
Quimera RPG, blog do Victor de Souza, estreou dia 18 de abril com um inusitado Star Wars para Zip RPG. Regras, personagens dos jogadores e cenário em 21 páginas bem escritas e ilustradas num arroubo de pirataria tão engraçado quanto eficaz.
Zip é um dos sistemas funcionais de RPG mais sintéticos que existem. Você escolhe um ponto forte (Força, Agilidade, Carisma ou Vitalidade) e uma Especialização (Mago, Guerreiro, Ladrão, Caçador, Samurai do asfalto, etc.): seu personagem está pronto. Pega duas moedas e acabou: só jogar (desde que o Mestre tenha uma aventura, é claro…).
O Victor pôs para funcionar neste sistema simples, bobinho até, um dos mais prestigiados cenários de ficção: Guerra nas Estrelas. Não sou fã da série. Vi as películas antigas, mas por nada neste mundo perderei tempo com as recentes. Isto me impede de avaliar a correção das informações de Star Wars Quimera. Porém, como sou um jogador de RPG até certo ponto razoável, acho que não erro ao afirmar que Star Wars Quimera, o e-book do Victor, é um bom jogo.
Foram mantidas as principais características do Zip: um ponto forte e uma especialização constroem o personagem do ponto de vista das regras. Há mais pontos fortes, entretanto (Força, Agilidade, Espírito, Vitalidade, Sorte e Esperteza). E também as especializações captam as ocupações de Guerra nas Estrelas: Adepto da Força, Cavaleiro Jedi, Caçador de Recompensas, Soldado, Sabotador, Infiltrador e Piloto. Dois destes camaradas, o Cavaleiro Jedi e o Adepto da Força, começam o jogo com 10 pontos de Força (aquela Força).
Há também as espécies (de mecânica análoga à das raças de fantasia medieval do Zip): Bothano, Cereano, Ewok, Gungan (“possuem”, conta Victor, “uma língua longa e rápida”), Humano, Kel Dor, Droid, Raça do Mestre Yoda, Nautolan, Talz, Twi Lek, Wookie – cada uma explicada em um parágrafo curto, ágil e, como vocês suspeitam, engraçado.
Não existem regras de evolução como aquelas em que o personagem do jogador começa com Correr 3 e logo está com Correr 10. As regras de evolução migraram do fortalecimento dos personagens para a questão central do Star Wars Quimera: a corrupção dos jedis pela ânsia de poder, ou seja, o aprofundamento da personalidade dos personagens.
A Força funciona de um modo cativante. Ao invés de uma lista de poderes para o personagem adquirir, temos uma lista de efeitos que qualquer usuário da Força pode provocar. Contudo, alguns destes efeitos geram pontos de Lado Negro quando utilizados. Se seu personagem juntar muitos pontos de Lado Negro, ele fica malvado.
Neste aspecto, Star Wars Quimera é uma adaptação bem executada. Guerra nas Estrelas não é sobre Yoda; naves estelares; X3seiládaquanta – é sobre os usuários da Força. Os personagens mais intensos de Star Wars Quimera, pelo menos do ponto de vista das regras, são os usuários da Força. Então, Victor transformou em jogo aquilo que define a ficção em que ele se inspira. Ponto para ele. E ponto para a gente, que passa a contar com um bom jogo.
POUCA REGRA AJUDA A PENSAR
O hábito faz (e recentemente estratégias empresariais fizeram) privilegiar sistemas pesados na hora de produzir adaptações. Star Wars Quimera mostra que, sem abdicar de uma linguagem técnica, há outros caminhos para fazer jogos temáticos.
O sistema Zip, ao espremer a linguagem técnica de grandes sistemas até seu mínimo funcional, libera o jogador de Star Wars Quimera para ver com clareza o centro do cenário: o dilema que pessoas extraordinárias enfrentam quando percebem que se destacam do pano de fundo.
Escrito por Camilo 
Escrito por Camilo 
Escrito por Camilo