Três short-stories de vikings

Fevereiro 8, 2008

3 historinhas que escrevi sobre os vikings, hehehe…

LINDSFARNE

Na ilha de Lindsfarne, atual Holy Island na Inglaterra, havia nos fins do século VIII um feudo da Igreja e um mosteiro de elevada importância. Os monges viviam uma existência ascética e tranqüila nesta ilha da cristianizada Britânia.

Amanhecia em Lindsfarne. Mas barcos ágeis de vela xadrez se aproximavam da costa. Eram baixos e de madeira, rápidos. Nas proas, enormes figuras de dragões. Deles irromperam soldados armados. Traziam consigo uma fúria guerreira incontrolável. Avançaram. Seguiu-se o terror.

Matavam facilmente os poucos defensores, os monges e aldeões também, ou os levavam como escravos. Roubaram os tesouros. O mosteiro incendiado aqueceu os ventos que trouxeram os invasores. Chegaram rápido. Partiram sem demora. Cheios os gibões, entretanto.

Os raros sobreviventes do ataque espalharam que os invasores eram demônios. Dentre pouco, toda a Inglaterra tremia. Ninguém queria avistar ao longe, das margens enevoadas, os dragões e suas crias. Rezavam para evitá-los. Deus não os atendia. E o pavor que os tomava era enorme.

DINAMARCA

Os soldados se preparavam. Poucos tinham medo. Há pouco tempo, haviam anexado o reino pagão da saxônia a pedido do católico imperador. Ele restauraria a glória romana. Desconheciam a glória romana. Provavelmente marchavam sob ordem por uma glória diversa.

Exército em formação, os inimigos surgiram. Eram muitos. A batalha se aproximava. Gritos de comando formaram uma massa de carne, aço e sangue. A peleja estendia seus tentáculos frios.

No rosto de todos os bárbaros estava uma fúria indomável. O medo não tange quem só conhece a glória se o chão se aduba com sangue. Vida ou morte, sempre a glória.

A batalha retirou-se. A manhã contemplou solitária a arte vermelha. Uma voz, seguida de várias, ergueu-se em urro bestial. Triunfo. Os danos, os pagãos, venceram. E sua amada regalou os sobreviventes e os mortos.

Derrotado seu exército, um amargurado Carlos Magno elegeu aquela península como a Marca dos Danos e passou a temer seus habitantes. Séculos vieram e nenhum franco jamais ousou sequer pisar novamente no solo da Dana Marca.

O DRAGÃO FAFNIR

Como passeavam por Midgard com uma fome danada, Odin e Loki degustaram um saboroso salmão. Uma pena que o peixe fosse em verdade um anão. E seu pai, um poderoso mago desta raça pequenina.

Vingativo, ele afanou os sapatos mágicos de Loki e a Lança Gungnir de Odin e exigiu tesouros pelo resgate. Muito astuto, Loki resolveu o problema ao encontrar o mago Andvari e tomar-lhe à força todos os tesouros. Até mesmo o anel que inutilmente escondia. Bravo com o roubo, o bruxo rogou sobre o objeto uma terrível praga – ele despertaria uma cobiça desenfreada em quem o visse, tornando-o capaz de matar para tê-lo só para si.

Tais tesouros foram trocados pelos sapatos e pela lança. E assim os deuses voltaram para Asgard.

A família de anões lutou entre si pela posse do anel. Fafnir assassinou os irmãos e o pai. Depois se transformou em um horrendo e poderoso dragão que trazia engastado no dedo o jóia maldito.

Mora hoje no Pântano dos Mortos e perdeu a conta de quantos aventureiros já devorou.

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E aí, o que acharam?