A edição de junho (ano IV, nº 45, R$ 10,9) da “História Viva” é muito boa para jogadores de D&D e de outros RPGs medievais. A revista traz um dossiê sobre a guerra na Idade Média.
Aborda cinco assuntos. O primeiro é a aliança entre religião e guerra que aconteceu no período e que culminaria no apoio do papa às Cruzadas, nos feriados com os quais a Igreja tentava diminuir os conflitos, nas cerimônias de sagração, etc.
O segundo texto discorre sobre a posição da cavalaria entre as demais tropas medievais. Seria ela um corpo de combatentes imprescindível, letal e glorioso em cima de possantes corcéis? Dificilmente, pois os cavaleiros costumavam lutar à pé e, por serem indisciplinados, reduziam muito a potência do ataque de cavalaria.
Os mercenários também ganharam espaço na revista. Eram contratados para defender igrejas e suplementar os exércitos de um senhor feudal. Com o tempo, o rei passou a monopolizar sua contratação. Isso não impedia que, com o final das batalhas, os soldados se convertessem em saqueadores.
A parte que fala dos condottieri (mercenários italianos) interessa bastante por causa da pincelada sobre as intrincadas disputas políticas da Itália renascentista. Há a foto do busto de Colleone, com cara de mau e capacete, olhos vidrados, muito viril.
Depois de duas páginas com uma ilustração para cada uma das principais armas medievais (armadura de cavalaria, besta, catapulta e arco&flecha), adentra-se nos corredores úmidos dos castelos em um artigo que aborda sua função militar, suas mudanças arquitetônicas e sua importância para a economia. Tem ainda um quadro das dez principais táticas de cerco.
O dossiê termina ao tratar da teoria da guerra na Idade Média. Nesse campo, o lugar mais destacado foi ocupado por uma mulher, Christine de Pisan, que escreveu no começo do século 15 um manual de estratégia para os homens de armas.
Todas as partes do dossiê apontaram para as qualidades lúdicas das guerras medievais. Os esportes para treinar cavaleiros, os duelos na frente dos castelos sitiados, com regras de jogo e espaço para desforra de pobres contra ricos.
Infelizmente, os dois primeiros textos não trazem a clareza comum às publicações de divulgação, e nenhum possui os detalhes euq embalam os suplementos de RPG. Mas o jogador poderá aproveitar as informações da matéria, ainda mais se nos lembrarmos de que no Brasil existem poucos títulos sobre o assunto.
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Janeiro 22, 2008 às 1:37 am |
Muito bom! Fiquei super curioso para ler. Alias, certa vez no meio de um post sobre zumbis (tudo haver não?) estava pensando sobre a realidade e o que se fantasia devido a livros de rpg e historias fantasticas antigas.
Certas personalidades e estereotipos são bem mais fantasiosos que na realidade eram, já em outros casos já temos as coisas como elas realmente são nos livros de rpg. No final acho que ha mais fantasia que realidade. Um rpg que busque ser mais fiel a nossa historia é bem vindo.
Janeiro 27, 2008 às 8:56 pm |
Tenho a opinião de que esse quase fanatismo por fantasia medieval faz esquecer que, além da Idade Média, outros períodos são muito ricos. Nossa colonização, por exemplo, era recheada de fantástico (El Dorado, por exemplos, e a esperança dos colonos de que Pososi ficasse perto do litoral do nordeste!). Colombo viu peixes voadores nos Caribes. Jogos de fantasia medieval são legais. Só quero dizer que também há outras possibilidades (e falei tudo isso quando a minha resenha é de uma matéria de história medieval. Pelos deuses, que contraditório!).