Descalços, violentos e famintos: bandeirantes no seu jogo

Julho 23, 2009

Bandeirantes de Ivan Wasth

Ameias, cavaleiros, castelos: uma hora cansam. Pistolas laser, sabre de luz e samurais revigoram? Nem sempre. Tem quem não suporte mais escolher entre a fantasia medieval e a ficção científica.

Para quem estiver na necessidade de uma mudança radical, o exemplar 34 da Revista de História da Biblioteca Nacional (Ano 3, nº 34, Julho 2008, R$ 8,9) oferece um oásis: um apanhado maravilhoso sobre os bandeirantes.

Na matéria Bandeiras mestiças, descobrimos que os bandeirantes eram moradores da vila de São Vicente (atual São Paulo capital, por assim dizer) que caçavam índios para usá-los como mão de obra na difícil tarefa de vergar aos portugueses os perigos da Brasil recém-encontrado.

A mescla de portugueses e índios na ocupação do território que hoje forma nosso país é explorada em três artigos, cada um dedicado a uma região.

No nordeste, bandeirantes baianos movem uma guerra de dizimação contra os tapuias para ocupar o sertão (Guerra aos tapuias).

No Piauí, Domingos Jorge Velho, o mesmo que combateu mais tarde o Quilombo dos Palmares, chefiou um povoado constituído de uma maioria esmagadora de índios (Piauí de paulista).

Já em Minas Gerais, temos o fenômeno das bandeiras a todo vapor. Os bandeirantes buscavam nos sertões mineiros tesouros, terras e índios (Sertão mineiro loteado à força).

Indios de Ivan WasthUma das matérias mais suculentas para RPGistas, Descalços, violentos e famintos, traz detalhes dos costumes dos bandeirantes, facilitando a construção de personagens do tipo em qualquer sistema de jogo.

Vemos lá suas ocupações (capitão, alferes-mor, capelão, tropeiro, índio guerreiro, escrava índia e mamelucos), habilidades (caça e pesca, comunicação por fogo, seleção de alimentos silvestres, etc.), estratégias de guerra (luta armada, dissimulação e escambo), armas (bacamartes, arcabuzes, arcos, facas, espadas), roupas (gibão de couro de anta, chapéus, etc.), perigos (índios inimigos, jesuítas, insetos, cobras, onças) e até comidas como cobra, formiga assada e outras iguarias, tudo complementado por um mapa e por desenhos de um dos maiores ilustradores de história que o Brasil já conheceu, Ivan Wasth Rodrigues, cujo talento você já confere nas figuras deste post.

Somos todos bandeirantes e Heróis em construção, dois textos que fecham o dossiê, abordam o uso da figura do bandeirante na construção da identidade paulista durante a República Velha, assunto que pode dar uma mão para quem quiser uma aventura de teor político na primeira metade do século 20 brasileiro.


Lovecraft on-line

Julho 19, 2009
Schizo-phrezy: simplicidade e loucura em jogo lovecraftiano

Schizo-phrezy: simplicidade e loucura em jogo lovecraftiano

H. P. Lovecraft se imortalizou com contos de horror cujos personagens enlouqueciam ao enfrentar seres horrendos. O mais famoso deles, Cthulhu, inspirou RPGs como o cultuado Call of Cthulhu, o bem mais modesto 3dThulhu e o potencialmente engraçado Cthulhu in Rio do Phil.

O pessoal do AdultSwim, site gringo especializado em jogos e outras atrações on-line, destilou seus ímpetos lovecraftianos em Schizo-phrenzy, um jogo de plataforma que você não precisa baixar para jogar.

J. K. Facey: investigador com sérios problemas de Schizo-phrenzy

J. K. Facey: investigador com sérios problemas de Schizo-phrenzy

Em Schizo-phrenzy você controla John K. Facey, um investigador contratado para procurar um bebê numa grande cidade. Facey possui uma barra de sanidade que diminui com o tempo e quando ele encosta em criaturas bizarras.

A graça desta dinâmica fácil de entender é que, quanto menor sua barra de sanidade, mais criaturas infestam a tela. Sua única chance de livrar-se delas é matá-las com um pulo na cabeça ou com a ingestão de uma dose de remédio.

Combinando, portanto, uma mecânica antiga para matar os monstros, uma barra de energia lovecraftiana e muito bom humor, Schizo-prenzy transforma em webgame a pscicolodelia das obras de Lovecraft.

Facey deve encontrar este bebê. Não é uma gracinha?

Facey deve encontrar este bebê. Não é uma gracinha?


A volta do Camilo

Julho 19, 2009
E disse D. Pedro 1º: "Digam ao povo que fico". O resto é história...

E disse D. Pedro 1º: "Digam ao povo que fico". O resto é história...

Tomei um baita susto ontem: os cliques no meu blog não só aumentaram quando tentei mudar de endereço, como atingiram o inacreditável pináculo de 68 cliques numa só sexta-feira, acontecimento raro como um cometa para um habitante da favela da blogosfera.

Teve também um lance de sinceridade. Faço este blog sozinho, suponho que nas mesmas condições de um bom número de blogueiros. Fiquei embaraçado com um título de blog que não transmitisse que o máximo que o leitor vai encontrar são os RPGs, as resenhas e os artigos do Camilo.

Digam o que quiserem: vocês pediram. Eu voltei. Mas sem pretensão de ver outros 68 cliques. Afinal, sou tão rei no meu barraco quanto você na sua mansão bloguística.


Os posts prediletos

Junho 30, 2009

Foi culpa da barba

Junho 18, 2009

Barbas

As tavernas estão lotadas de aventureiros. Mestres rascunham campanhas épicas (the more, the better!). Mas… qual a causa da guerra épica de sua aventura de fantasia medieval?

Talvez a história possa arejar as idéias de Mestres que responderam que novamente um-item-mágico-poderoso-vai-cair-nas-mãos-de-um-vilão-que-quer-fazer-maldade.

Na Idade Média, período não tão sombrio quanto pintam os módulos básicos de RPG, o rei francês Luís 7º embolsou uns ducados quando se casou com Eleanor. Mas, depois de voltar duma guerra, Luís 7º raspou a barba e não quis deixar crescer de novo.

Revoltada, Eleanor se divorciou e contraiu segundas núpcias com o rei inglês Henrique 2º. Houve então um problema na divisão dos bens do casal.

Luís 7º não quis devolver os ducados de Eleanor. Lama por lama, sangue por sangue: Henrique 2º invadiu a França para retomar as posses de sua esposa. Foi uma tremenda guerra!

NOTA 1: quer mais guerras para inspirar suas aventuras? Entre no Brasil Escola.

NOTA: o compêndio de barbas que ilustra este post foi retirado do Frufru, parada obrigatória para quem deseja um sopro de amenidade.